sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Exemplo para o Brasil


Eu estive na obra do Estadio Nacional Mané Garrincha e fiquei impressionada com a escala monumental. Qualquer pessoa pode agendar visita. De fora não se tem a noção real da proporção. Tenho certeza que quando estiver pronta, será um ícone digno da nossa cidade de Brasília tais como todos os outros monumentos, a catedral e o Congresso.


A obra que está com quase 80% já executada conta com 4 mil operários que trabalham em três turnos. Os 288 pilares, com mais de 36m de altura livre que rodeiam a arena formando a área de acesso, foram concluídos no final de agosto.

O anel de compressão concluído em outubro impressiona pelo tamanho: 1km de circunferência, 308m de diâmetro e 22m de largura formado por lajes inferior e superior com paredes de 5m de altura. Nas paredes já começaram a ser instaladas as placas-base que permitirão fixar a cobertura. Ao todo, são 48 peças, pesando 2,4t cada uma.

Com a aplicação dessas placas-base, será possível içar os cabos permanentes que sustentarão a cobertura fabricada no Japão. O içamento será feito por um sistema automatizado de 48 macacos hidráulicos. Além da sincronia e precisão necessárias, o içamento automatizado dos cabos garante a geometria circular da cobertura. Em seguida, serão montadas e instaladas as treliças que formarão a base para a colocação da membrana da cobertura.


 O anel terá importante papel também na questão da sustentabilidade, pois nele serão instaladas as placas fotovoltaicas, responsáveis pela captação da energia solar. Serão dispostas 9,6 mil placas, com capacidade para gerar 2,5 megawatts de energia, o que corresponde ao abastecimento de cerca de 2 mil residências por dia, tornando o estádio o primeiro no mundo a ser autossuficiente em produção de energia e, ainda, produzir excedente para ser utilizado em outras partes da cidade.

A membrana da cobertura com 90 mil m², suporta 400kg e possui um componente fotocatalítico chamado TiO2 (dióxido de titânio), que extrai poluentes da atmosfera decompondo os óxidos de nitrogênio (NOx)  provenientes dos gases emitidos por veículos e outras fontes. O volume de remoção da cobertura montada será equivalente a retirar 104 automóveis ou 75 caminhões das ruas a cada hora que o sol estiver refletindo. Ainda assim é translúcida, permitindo a passagem de iluminação natural: reflete os raios ultra-violeta e retém 15% da luz amarela o que reduz o calor interno e a necessidade do uso de ar-condicionado ou de qualquer outro tipo de ventilação artificial.

A cobertura será autolimpante e irá, com o piso permeável ao redor da arena, captar a água da chuva para reaproveitamento de 80% da demanda de água não potável utilizada nos vasos sanitários, mictórios, irrigação do gramado e lavagem em geral.

A arquibancada superior, formada por 1.604 peças de concreto pré-moldadas foram feitas no próprio canteiro de obras e concluídas em menos de cinco meses. O uso das peças pré-moldadas agilizou a execução da obra sem gerar custos adicionais.

Os assentos serão feitos com garrafas pet, 100% do material reunido por cooperativas e enviado ao fabricante, no Rio de Janeiro. Para cada cadeira, são necessárias 100 garrafas de 600ml. Uma campanha lançada pelo Governo em parceria com a Coca-Cola do Brasil coloca vários pontos de coleta no DF para arrecadar garrafas PET para a fabricação dos cerca de 3,5 mil assentos da arena.

No último dia 13 o governador do Distrito Federal apresentou no Greenbuild International Conference & Expo 2012 o projeto sustentável do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. O evento do U.S. Green Building Council (USGBC), entidade referência em construções sustentáveis foi realizado em São Francisco e apontou a obra como um exemplo de iniciativa governamental de grande contribuição para o tema da sustentabilidade.

Das 12 cidades brasileiras que vão receber jogos da Copa, 11 disputam a classificação do Green Building, mas apenas a de Brasilia se candidatou à pontuação máxima: o selo Platinum. Atualmente, nenhum estádio de futebol no mundo tem esse selo. Portanto, caso Brasília se credencie, o Estádio Nacional será o primeiro a ter o certificado.

Como todos esses estádios estão sendo construídos com essa preocupação na sustentabilidade, em minha opinião, muito mais do que o mérito do próprio selo, a grande importância está na contribuição para divulgar o conceito e o desenvolvimento de um novo hábito, um novo costume para as construções brasileiras, sejam elas públicas ou privadas.

O conceito da arena verde começou claro ainda no projeto. Tudo o que saiu da demolição do antigo estádio foi reaproveitado na própria obra ou em cooperativas de reciclagem do DF. As cadeiras removidas estão sendo reutilizadas no outro estádio de Brasília, o Serejão em Taguatinga, as redes em outro, o Bezerrão no Gama e o antigo gramado está sendo cultivado no viveiro da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), para serem reutilizados nos canteiros da capital federal. São usados materiais recicláveis ou reciclados na construção

Afora todos os questionamentos a respeito do valor do investimento que poderia ser utilizado para sanar problemas mais emergentes da nossa cidade, acho que a decisão da Copa e Olimpíadas foi uma decisão maior, a nível federal. Então, se temos que fazer, porque não tirarmos proveito disso? Acho que a população de Brasília deve ficar orgulhosa por transformar aquele nosso antigo estádio sem nenhuma expressão por uma obra sustentável que trará além de economia de manutenção, benefícios sociais e ambientais visíveis.

Fonte: GDF, Correio Braziliense, Portal da Copa
Fotos da autora do blog.





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Residencia em Brasilia

Brasília é um ícone da arquitetura moderna mundial. Isso ninguém discute.

Basta dar uma volta nos bairros residenciais, porém para perceber que na arquitetura das residências em Brasília não se vê muitos exemplos notáveis. Seja no moderno ou não, acho que os arquitetos aqui temos (e me incluo entre eles) que ser mais ousados, mais criativos e inovar mais.

Gosto sempre de mostrar projetos inovadores, colírios para os olhos como o do arquiteto Danilo Matoso Macedo no bairro Lago Sul.

A residência de 355m² busca no segundo pavimento a vista para o Lago Paranoá. O proprietário desta residência cresceu naquela vizinhança. A janela do seu quarto então abre-se para noroeste, permitindo descortinar toda a área monumental da cidade na margem oposta do lago. Uma paisagem cuja evolução ele acompanhara, e que desejava manter ou ampliar.

Da mesma forma como o padrão dos blocos residenciais, a casa também foi elevada sobre pilotis possibilitando a vista sobre os telhados dos vizinhos. No pavimento superior foi distribuído todo o programa básico deixando o térreo livre com aterros escalonados até chegar a um nível intermediário onde foi colocado garagem e serviços.

Como o casal ainda é jovem, há previsão de um pequeno “apartamento” de dois quartos para a ocupação futura do pilotis, quando num segundo momento da vida familiar os filhos crescem e os pais envelhecem dificultando o acesso ao segundo piso, podendo ainda ser utilizado por eventuais hospedes.

O grande desafio de Brasília é o clima seco e quente. As fachadas norte/noroeste tem que ser protegidas da incidência do sol. Para proteger os ambientes internos da inclemência do sol na fachada noroeste, a da paisagem, foram adotados beirais de um metro e um espesso peitoril revestido com mármore, garantindo a proteção nas horas mais quentes do dia.

Para a janela em fita, a solução encontrada foi o uso de toldos perfurados reguláveis, afixados numa caixa externa completamente independente das janelas, e solto da laje o suficiente para permitir a entrada direta apenas da luz do pôr-do-sol, sem bloquear completamente a visão. A faixa transparente de aproximadamente 40cm junto à laje circunda todo o volume elevado, trazendo ao interior as diversas nuances da luz do sol ao longo do dia, tornando mais palpável a passagem do tempo.

Fonte: Contemporist, Archdaily











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