quinta-feira, 11 de julho de 2013

Aeromóvel


Ponto para os gaúchos na corrida pela melhoria do transporte público no país.

O AEROMÓVEL está se tornando realidade em Porto Alegre, já com 97% das obras concluídas para entrar em operação até o final deste mês de julho.

A implantação servirá como balão de ensaio para testar o potencial desse modal com tecnologia 100% brasileira e será a primeira linha comercial de aeromóvel no mundo. A empresa responsável pelo transporte ferroviário de Porto Alegre já pensa em implantar o sistema em mais três trajetos.

O que será inaugurado agora tem extensão de 1 km com duas estações. O trajeto deverá ser percorrido em um minuto e meio, com velocidade de até 60 km/h para uma demanda de 7,7 mil passageiros por dia. Fará a interligação da Estação Aeroporto (que integra o metrô gaúcho) ao Terminal 1 de passageiros do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Como é um modal de capacidade intermediária, similar ao VLT ou ao monotrilho, o aeromóvel serve para alimentar sistemas troncais.

O custo de implantação, operação e manutenção foi um dos critérios da escolha do sistema. De acordo com Diego Abs, diretor de engenharia da Aeromóvel Brasil, o valor de implantação do aeromóvel é até quatro vezes menor do que outros modais. Incluindo obras civis, veículos, estações com portas de plataforma e ar-condicionado, propulsão e controle automático, o custo médio do modal é de R$ 35 milhões por quilômetro de via simples. O custo médio do quilômetro do seu concorrente direto, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), varia de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões. Já com o metrô não é possível fazer comparações por ser um modal diferente, de altíssima capacidade de transporte.

Basicamente, esse sistema consiste em um veículo leve sobre trilhos, suspenso em via elevada de 4,5 m de largura a 9 m de altura movimentado por propulsão pneumática. O ar é soprado por ventiladores industriais de alta eficiência energética por meio de um duto localizado dentro da via elevada. O sistema pode também ser acionado com gás natural e apresenta baixo consumo de energia elétrica. 


Por conta da leveza do modal as vias elevadas que o sustentam possuem dimensões reduzidas, uma estrutura leve e esbelta composta por vigas e pilares pré-moldados de concreto, minimizando assim o impacto visual.

Outro fator muito positivo dessa tecnologia é que permite vencer rampas acentuadas de até 12% e raios fechados de até 25 m. Essas questões são muito definitivas no traçado da via possibilitando mais flexibilidade, com menos desapropriações ou realocações imobiliárias. No caso do VLT por exemplo, um grande problema diz respeito à dificuldade de implantação no traçado já tão conturbado das cidades, dificultado pela incapacidade de vencer rampas com inclinações maiores que 8%. Por isso muitas vezes a opção por sistemas como o do BRT ou VLP que utiliza tecnologia sobre pneus com melhores possibilidades de se adaptar às condições existentes.

Em termos de ruído também o aeromóvel tem vantagens porque fica abaixo dos níveis estabelecidos para os sistemas de transporte urbano em países desenvolvidos.

Essa solução parece que vem então facilitar a implantação de novos sistemas cuja tecnologia, totalmente nacional vem atender com maior desenvoltura as demandas por transporte público das grandes cidades. A quem se interessar mais pelo assunto, vale a pena acessar o link da PINI para ver a matéria completa.
O traçado




Fonte: PINI, G1

terça-feira, 2 de julho de 2013

O que queremos para as nossas cidades


Todas essas manifestações dos últimos dias nos fazem refletir sobre o que queremos para as nossas cidades.

Cada vez mais percebemos que esse modelo atual de crescimento desordenado baseado apenas no consumo e no lucro é insustentável, pois falta visão a longo prazo que leve em conta a disponibilidade dos recursos naturais no futuro assim como as emissões que vão se acumular na atmosfera nos próximos anos.

O termo “desenvolvimento sustentável” não é apenas um jargão em moda, presente em quase todos os discursos políticos e que não permeia nem ações nem políticas governamentais. O sentido é muito mais amplo, expressa os anseios coletivos, tais como a dimensão social, ambiental e ética, de uma economia includente, verde e responsável. Isso tudo fica muitas vezes colocado como uma utopia.

O relatório desenvolvido pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), também conhecida como Comissão de Brundtland, no processo preparatório da “Rio 92” ficou conhecido como “Nosso Futuro Comum”. Nele está colocada uma das definições mais difundidas do conceito: “o desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”.

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações” (A Carta da Terra, 2002).

Então tá, e as nossas cidades? De acordo com Henri Acselrad a sustentabilidade urbana é a capacidade das políticas urbanas se adaptarem à oferta de serviços, à qualidade e à quantidade das demandas sociais, buscando o equilíbrio entre as demandas de serviços urbanos e investimentos em estrutura (ACSELRAD, 1999).

O atual Prefeito de São Paulo, ex-Ministro da Educação, constatou o que todos já sabíamos: a tendência de toda grande cidade brasileira em tirar as populações mais pobres das regiões centrais da cidade, fazendo com que elas se desloquem para regiões distantes dos locais de trabalho e de equipamentos públicos acabam por inviabilizar toda metrópole. As pessoas levam horas para chegar ao local de trabalho e não há infraestrutura suficiente que venha a solucionar o problema. A reboque vem o déficit habitacional com os altos preços dos imóveis, o aparecimento das favelas, a falta de segurança, sem falar nos problemas gerados pelo lixo.



Para Nabil Bonduki, professor de planejamento urbano da FAU-USP, a cidade precisa de um plano diretor que traga um modelo diferente de uso e ocupação de solo e a necessidade de se qualificar e humanizar as periferias das grandes cidades.

Com certeza, isso tudo faz parte de um processo de aprendizagem social de longo prazo, que deve ser direcionado por políticas públicas cujo foco seja o desenvolvimento do país como um todo. Tudo isso, sem sombra de dúvida exige a participação de toda a sociedade, num exercício de democracia, respeito e solidariedade.

Não, eu não tenho a receita dessa solução. Muitos encontros e discussões tem sido feitos a esse respeito. É muito válida considerar a experiência de outras cidades ao longo do mundo. A solução com certeza, passa pela inovação e a capacidade de criar uma forma de transformar tudo de errado que fizemos até agora de modo a que todos, do mais pobre ao mais rico, tenham acesso a uma vida digna e sustentável nas nossas cidades.





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