terça-feira, 2 de julho de 2013

O que queremos para as nossas cidades


Todas essas manifestações dos últimos dias nos fazem refletir sobre o que queremos para as nossas cidades.

Cada vez mais percebemos que esse modelo atual de crescimento desordenado baseado apenas no consumo e no lucro é insustentável, pois falta visão a longo prazo que leve em conta a disponibilidade dos recursos naturais no futuro assim como as emissões que vão se acumular na atmosfera nos próximos anos.

O termo “desenvolvimento sustentável” não é apenas um jargão em moda, presente em quase todos os discursos políticos e que não permeia nem ações nem políticas governamentais. O sentido é muito mais amplo, expressa os anseios coletivos, tais como a dimensão social, ambiental e ética, de uma economia includente, verde e responsável. Isso tudo fica muitas vezes colocado como uma utopia.

O relatório desenvolvido pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), também conhecida como Comissão de Brundtland, no processo preparatório da “Rio 92” ficou conhecido como “Nosso Futuro Comum”. Nele está colocada uma das definições mais difundidas do conceito: “o desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”.

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações” (A Carta da Terra, 2002).

Então tá, e as nossas cidades? De acordo com Henri Acselrad a sustentabilidade urbana é a capacidade das políticas urbanas se adaptarem à oferta de serviços, à qualidade e à quantidade das demandas sociais, buscando o equilíbrio entre as demandas de serviços urbanos e investimentos em estrutura (ACSELRAD, 1999).

O atual Prefeito de São Paulo, ex-Ministro da Educação, constatou o que todos já sabíamos: a tendência de toda grande cidade brasileira em tirar as populações mais pobres das regiões centrais da cidade, fazendo com que elas se desloquem para regiões distantes dos locais de trabalho e de equipamentos públicos acabam por inviabilizar toda metrópole. As pessoas levam horas para chegar ao local de trabalho e não há infraestrutura suficiente que venha a solucionar o problema. A reboque vem o déficit habitacional com os altos preços dos imóveis, o aparecimento das favelas, a falta de segurança, sem falar nos problemas gerados pelo lixo.



Para Nabil Bonduki, professor de planejamento urbano da FAU-USP, a cidade precisa de um plano diretor que traga um modelo diferente de uso e ocupação de solo e a necessidade de se qualificar e humanizar as periferias das grandes cidades.

Com certeza, isso tudo faz parte de um processo de aprendizagem social de longo prazo, que deve ser direcionado por políticas públicas cujo foco seja o desenvolvimento do país como um todo. Tudo isso, sem sombra de dúvida exige a participação de toda a sociedade, num exercício de democracia, respeito e solidariedade.

Não, eu não tenho a receita dessa solução. Muitos encontros e discussões tem sido feitos a esse respeito. É muito válida considerar a experiência de outras cidades ao longo do mundo. A solução com certeza, passa pela inovação e a capacidade de criar uma forma de transformar tudo de errado que fizemos até agora de modo a que todos, do mais pobre ao mais rico, tenham acesso a uma vida digna e sustentável nas nossas cidades.





Um comentário:

  1. Na verdade, a mudança começa com cada um de nós. E desta forma, aqueles que nos representam - com o poder político que possuem - deveriam fazer cumprir suas mínimas promessas. E nós, cobrá-los incessantemente. Contudo, nada disso adianta se cada um de nós não poe em prática, na sua casa, aquilo q quer pro município. Desde o simples ato de depositar o lixo na lixeira, ao invés da rua.
    E, sim, infelizmente as grandes cidades não favorecem em nada uma boa classe de trabalhadores, que mora mal, se desloca mal e ganha mal. Transporte público eficiente e de qualidade seria um excelente começo - são menos poluentes e mais rápidos. É o incentivo perfeito para que uma turma grande deixe seu carro em casa e pegue um metrô, um ônibus - como é em grandes cidades norte americanas, europeias e algumas asiáticas.

    Adorei seu post. Mais do que pensar, temos que agir.

    Beijokinhas e excelente semana!

    Luiza Mallmann
    decorarsustentavel.blogspot.com

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