segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Tijolo Cerâmico


O tijolo cerâmico presente na maioria nas construções de diversas culturas durante séculos começou a ser substituído por materiais e técnicas que respondiam às novas tendências a partir do século 19 quando as construções precisavam resistir aos grandes vãos e às grandes alturas. 

E quando a gente pensa que aqueles novos materiais surgidos tais como os polis, as diversas formas do concreto ou os elementos metálicos iriam levar o nosso tijolo à falência, vemos uma tendência contrária através dos trabalhos de arquitetos internacionais. Eladio Dieste, arquiteto uruguaio já nos anos 40 concebeu o que viria a ser a cerâmica armada; o mestre Renzo Piano com o japonês Toyo Ito desenvolvem as fachadas ventiladas em cerâmica como superfícies de alto desempenho.

O arquiteto espanhol Vicente Sarrablo elaborou com a Universidade Internacional da Catalunha uma solução chamada Flexbrick (detalhes em www.flexbrick.es), que também emprega tijolos na composição de “peles” próprias para pavimentação, paredes, coberturas, abóbodas, etc.

Faz-se assim um resgate da condição versátil do material, relembrando que ele se presta à realização de um todo homogêneo na construção assim como, recoloca a cerâmica no rol dos materiais que, nada arcaicos, agregam tecnologia e apontam para o futuro.

No Brasil essa tendência de mudança se anuncia na Construção com Pré-Fabricados Cerâmicos (CPC) das unidades residenciais da Moradia Estudantil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciada em 1989 e finalizada no ano seguinte. Projetada por Joan Villá, arquiteto espanhol que vive no Brasil há muitos anos, o projeto se destaca pelo interessante movimento da volumetria permeada de verde que valoriza o material inclusive para o incremento da habitação social no Brasil. 

A Moradia Estudantil da Unicamp ocupa uma área total de 55.000 m², sendo 22.000 m² de área construída, contando com 226 casas (com capacidade para 4 estudantes), 27 estúdios (destinados a casais), 13 salas de estudo, 4 centros de vivência e 1 campo de futebol. Está localizada a 3 km do campus, na Vila Santa Izabel, distrito de Barão Geraldo. 

Essa solução emprega fôrmas semelhantes às do concreto armado, onde o tijolo é reforçado pela adição de barras de aço reproduzindo um caminho já encontrado desde a Roma antiga e tem sido reintroduzida lentamente durante o século 20. 

A inovação neste caso une a cerâmica armada à pré-fabricação, viabilizando painéis feitos com blocos para uso em parede, laje, escada e cobertura, que podem incorporar tubulação para a rede hidráulica e elétrica – e são montados antes da obra com o auxílio de gabaritos, o que facilita a execução.

Fonte: Casa Abril











sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Evitando tragédias

É triste quando vemos tragédias como a que ocorreu em Santa Maria na Boate Kiss quando mais de 230 pessoas tiveram que morrer para que todos abrissemos os olhos para os problemas de segurança das casas noturnas no nosso país.

É mais revoltante quando percebemos que além da omissão e negligência das autoridades, pode ter havido também falha de projeto e especificação ou ainda na execução do serviço. Essa é a parte que nos compete e da qual nunca podemos negligenciar.

Quando o profissional responsável pelo projeto, comercial ou residencial, é um engenheiro/arquiteto que não tem aquele conhecimento específico, seja em acústica ou qualquer outra matéria, deve contratar um especialista para auxilia-lo.

Algumas vezes, mesmo especificando o material correto, muitos empresários valorizam mais o preço e a aparência do que a segurança das pessoas que frequentam seus estabelecimentos e acabam por substituir na execução, o material adequado por outro mais barato que diz ser “igualzinho”.

Isso sem considerar aqueles casos onde os proprietários por economia, se aventuram em fazer reformas e construções sem o acompanhamento de um engenheiro ou arquiteto, se fiando apenas nas opiniões dos pedreiros e mestres de obra.

No caso ocorrido em Santa Maria tudo leva a crer que foi em função da economia de recursos financeiros ou até mesmo da indisponibilidade de profissionais com conhecimento técnico para aquele tipo de ambiente, embora a Universidade de Santa Maria conte com uma das melhores escolas de engenharia acústica do Brasil.

A espuma utilizada lá como “isolamento acústico” era espuma comum de colchão. A conhecida “casca de ovo” utilizada para prevenir escaras em pacientes muito tempo acamados. Não tinha capacidades de isolação. É um material barato, em média R$ 40 o metro quadrado, a base de poliuretano, um material altamente inflamável e toxico.

Para orientação, atualmente no mercado encontramos dois tipos de espumas com características de isolamento acústico:

1 - A espuma de poliuretano com aditivos retardantes de chamas: aditivado com agentes para redução da propagação de chamas. Esta espuma quando em contato com o fogo, reduz a velocidade de propagação das chamas. Apesar de ser bastante eficaz, este tipo de revestimento deve ser usado com cautela, pois também é feita a partir de Poliuretano, sendo indicada para locais com menor concentração de pessoas como estúdios e salas de som. Custa em média R$ 90 por metro quadrado.

2 – A espuma de estrutura microcelular a base de melamina: é a melhor opção em espumas acústicas pois possui tratamento anti-chamas. Ao ser exposta ao fogo, ela demora muito para derreter, sendo resistente a temperaturas altíssimas e faz menos fumaça. Quanto à flamabilidade, atende às normas nacionais e internacionais de segurança ao fogo. Seu preço varia de R$ 110 a R$ 140 o metro quadrado. Uma boa indústria é a SONEX da OWA do Brasil.

Veja abaixo um vídeo muito interessante de Bolivar Bracale Junior, empresário proprietário da Bracale, empresa que trabalha com forros e revestimentos em Araçatuba – SP que mostra a diferença entre a espuma utilizada na boate Kiss e as espumas recomendadas por especialistas.


2leep.com