sexta-feira, 29 de abril de 2011

Preparação para a Rio+20

Em Junho de 2012 o Rio de Janeiro sediará a conferência Rio+20. Vinte anos depois, um dos objetivos é fazer um balanço sobre os compromissos firmados na Rio 92. Isso será o fim de um ciclo e o início de outro. Em 2012 se encerra também a vigência do protocolo de Kyoto.
Além disso, fala-se numa economia verde, um “Green New Deal”, ou seja, uma forma de aumentar a riqueza reduzindo os riscos ambientais. Como fazer para impulsionar o crescimento econômico com eco-eficiência e novas tecnologias, orientando fluxos de capital e incentivando setores de baixo carbono, apostando em novas formas de crescimento, geração de empregos e mercados.
Outro ponto é a arquitetura institucional que deveria caminhar para uma democratização do sistema internacional e das instituições.
Realmente, como diz André Trigueiro, é preciso valorizar inovações que são capazes de produzir sem emitir carbono, que reduzem desigualdades e alimentam a população sem envenená-la, que fortalecem os direitos, que são verdadeiramente sustentáveis política, econômica, social, ambiental e culturalmente. É preciso deixar de lado os motivos políticos e optar pelos verdadeiros motivos técnicos. Permanece a pergunta: teremos força política para alavancar uma iniciativa que questione as próprias bases fundamentais do modelo vigente?
Isso tudo faz parte de uma mudança de paradigma, onde o maior foco se torna a vida em comum em harmonia com o meio ambiente, em busca do objetivo maior qual seja o desenvolvimento em conformidade com a preservação do nosso planeta para as gerações futuras. Se deixarmos de lado o velho estilo do querer se dar bem em tudo, à moda Gerson,  começaremos a pensar mais no outro, no nosso vizinho, nos nossos filhos, nos nossos netos.
Sem querer apelar para utopias, mas é procurando pelas soluções adequadas e unindo forças,  que em breve veremos se abrir um novo ciclo no País, na América, no Mundo onde os sistemas de produção e consumo se transformem em contribuição com a preservação da espécie.
Esse é o momento de integrar os diversos setores da sociedade para discutir os temas ambientais e sua relação com o desenvolvimento econômico e social do nosso país.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Qualidade do ar interno

O arquiteto tem uma grande responsabilidade não só para com o ser humano como também com a natureza.
Isto porque a construção por si só é um ato de agressão contra a natureza. É uma das atividades que causa maior impacto sobre o meio ambiente levando em conta a extração de matérias primas e recursos necessários, o consumo de energia despendida em todo o processo, além da geração de resíduos resultante muitas vezes destinado a locais inadequados.
Ao construir devemos estar sempre atentos nas decisões entre as exigências efetivas do empreendimento e o respeito ao ambiente como um todo, natural, construído, social, etc
Um aspecto muito importante é a qualidade do ar interno de um edifício que é um dos itens da Arquitetura Sustentável.

Já sabemos que passamos 90% de nosso tempo em locais fechados, onde a qualidade do ar pode ser pior do que a do ambiente externo. Entre os poluentes do ar interno estão as toxinas (como do amianto) e o formaldeído encontrado em vários materiais de construção, nas tintas e vernizes.
Além disso, com as exigências do mercado imobiliário, construímos espaços cada vez menores o que resulta no aumento de toxinas concentradas nos ambientes internos causadores de alergias como fungos e bactérias, inclusive diversos tipos de câncer. 
É o que chamamos de Sindrome do Edifício Doente. Os edifícios contém milhares de formulações químicas cuja maioria ainda não se sabe os efeitos no corpo humano.
É muito importante então que o arquiteto especifique materiais não tóxicos, com baixos níveis de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), incluindo tintas, carpetes, vernizes, tecidos, estofados, etc.
Ao mesmo tempo o projeto deve prever uma boa ventilação para troca do ar interno. Desta forma pode-se melhorar a qualidade do ar em 80%.
Certos cuidados podem contribuir em muito para a saúde dos ocupantes e do meio ambiente. Por isso, cheque com os fabricantes as informações a respeito de seus produtos: 
·         Madeiras e derivados com ou sem baixa emissão de formaldeídos
·         Tintas e vernizes a base de água ou com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs);
·         Cera de abelhas ou óleos impregnanetes naturais;
·         Materiais livres de PVC;
·         Materiais livres de metais pesados e Ftalatos;
·         Materiais livres de anti-chamas halogenados e brominados;
·         Materiais livres de anti-manchas com perfluorobarbonos;
·         Sistemas de ventilação (natural ou mecânica) que permitam a quantidade de trocas de ar necessárias às atividades do ambiente;
·         Sistema de aspiração e limpeza eficiente para a total retirada de poeira, fungos, bactérias e ácaros.


terça-feira, 26 de abril de 2011

Projeto de Escola de Educação Infantil

Muitas pessoas me perguntam a respeito de orientações e bibliografia para desenvolvimento de projeto de escolas de Educação Infantil, conhecidas como creches e pré escolas.
A educação básica no Brasil atual se divide em 3 níveis de atendimento: infantil, fundamental e o médio (ou técnico). O que chamamos de Educação Infantil  é a 1ª etapa da Educação Básica, o atendimento a crianças de 0 a 6 anos, ou melhor, de 0 a 5 anos e 11 meses porque com 6 anos a criança “teoricamente” já faz parte do 1º ano do ensino fundamental. Apesar de muitas vezes considerarmos para esse nível de ensino a criança a partir de 4 meses, prazo legal de amamentação, devemos considerar a fase desde o recém nascido porque no caso da mãe falecer no parto, a escola deve oferecer condições para receber essa criança mesmo com dias de nascida.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB (Lei 93.94/96) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) regidos pela Constituição, definem como responsabilidade do Estado a capacidade da rede pública em garantir o acesso a todas as crianças em qualquer dos níveis de ensino, inclusive o infantil. Por isso o Plano Nacional de Educação-PNE (Lei nº 10.172/2001) propõe como meta a universalização do ensino, ou seja: proporcionar a todos o ensino público em igualdade de condições e independente da localização.
A construção de uma escola em geral depende de um planejamento em dois níveis distintos: em relação à rede de escolas existentes, estudos de viabilidade, relação com o eco sistema, inter-relacionamento adequado para atendimento de uma população, como também o planejamento da unidade em si, que seria o estudo detalhado das áreas necessárias e seus relacionamentos entre si.
O projeto de uma escola de Educação Infantil, ao contrário do que muita gente pensa, não é constituído simplesmente de salas de aula e sanitários da forma como todos estão acostumados a ver. Ele segue um programa de necessidades específico e a infraestrutura para essa fase do crescimento é muito mais complexa, demandando que o projetista esteja bem a par de toda a complexidade do tema. Toda a rotina de funcionamento da escola deve ser analisada detalhadamente, os espaços e os equipamentos necessários para as diversas atividades diferentemente do que é corriqueiro para uma escola de nível fundamental por exemplo.
O MEC como gestor da educação no país tem desenvolvido literatura, não ainda suficiente, mas capaz de auxiliar o profissional de arquitetura/engenharia na concepção de um projeto de escola. No caso da educação infantil, estão definidos além de outros, os Parâmetros Básicos de Infraestrutura, em 2 volumes, aplicáveis para escolas tanto públicas como privadas e podem ser encontrados no endereço da Secretaria de Educação Básica
Recomendo também o material da Prefeitura do Rio de Janeiro, “Manual para Elaboração de Projetos de Creches do Rio de Janeiro” muito bem ilustrado e detalhado que pode ser encontrado na loja do Instituto Pereira Passos no RJ. Infelizmente esse material não está disponível na internet.
A FAU/UFRJ tem ótimos textos a respeito do assunto que podem ser pesquisados na internet. Entre eles:
O portal do MEC disponibiliza também modelo com um projeto completo de escola de educação infantil que abrange todos esses critérios básicos já estabelecidos. O projeto pode ser consultado em PDF no endereço do FNDE, mas ainda não está prevista uma revisão desse projeto  para os critérios de sustentabilidade.




Ainda falando sobre o lixo

Resolvi compartilhar um vídeo com uma reportagem da Globo que achei muito interessante sobre o sistema de coleta de lixo utilizado em Barcelona.

Desta maneira não existe mais presença das famigeradas latas de lixo ou containers derramando lixo pelas calçadas nem mesmo caminhões de coleta fazendo barulho e derramando chorume pelas ruas por onde passa.

Trata-se de uma população civilizada.

Não tenho certeza se funcionaria no Brasil. Tem que haver cultura pra isso. Pra começar as pessoas não teriam paciencia para fazer a separação do lixo adequadamente, daqui a pouco teria lixo orgânico dentro da tubulação do seco ou vice versa.

Apesar de achar que estamos muito distantes dessa realidade, gostaria muito de ver isso funcionando aqui em Brasilia. Como diz a reportagem o custo se justifica no curto prazo e os benefícios para a cidade são imensos.

http://www.cidadespossiveis.com/post/606689809/a-ideia-de-um-sistema-subterraneo-de-coleta-de

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Capacidade termo-acústica da fibra do coco

Quem não gosta de tomar uma água de coco geladinha, isotônico natural e repositório energético de excelente qualidade quando nas praia ou nos parques,?
Muito pouca gente, entretanto se preocupa com a quantidade de cascas de coco que se acumulam pelas diversas praias e parques do nosso país.

Se começarmos a pensar que  com uma área plantada de 290.515 hectares temos 2 bilhões de frutos produzidos anualmente no Brasil e que para cada 250 ml de água de coco verde consumida, 1 KG de casca de coco é gerada como lixo,  podemos entender porque o Brasil possui  cerca de 3,84 milhões de tonelada de resíduos, sendo 1,53 milhão de casca e 1,69 milhão de folhas lançadas em aterros de lixo e principalmente em vazadouros clandestinos.
(Fonte: Embrapa)


O consumo de coco seco representa 85% da produção, sendo utilizado para a culinária ou na obtenção de diversos produtos (leite, sabão, óleo, etc). O restante é consumido ainda verde para extração da água diretamente pela população ou ainda industrializada nas caixinhas longa vida.

A maioria das cascas de coco, folhas e cachos do coqueiro atualmente são queimados ou descartados como lixo nas propriedades rurais produtoras de coco. Quando queimados esses resíduos produzem substâncias poluidoras do meio ambiente e quando descartados sem nenhum tipo de tratamento em aterros sanitários ou lixões, a decomposição desse material leva em média dez anos além de servir de abrigo para ratos e favorecer a reprodução de insetos, como o mosquito da dengue.

Afortunadamente, já existem hoje em vários estados, empresas dedicadas a reciclar a casca do coco tanto verde quanto seco e ainda de quebra gerando mais emprego. Esse material tem sido reaproveitado em mais de 100 produtos e até mesmo exportado para outros países. Desde o pó do coco utilizado no paisagismo como substrato para ser misturado à terra de vasos e jardins, como também a fibra muito utilizada para elaboração de vasos, placas e mantas que enriquecem a indústria de produtos reciclados.

As placas de fibra de coco são produzidas em diversos tamanhos e tem sido muito utilizadas até mesmo para substituir um pouco o xaxim cuja utilização foi proibida pelo Conama na decoração de interiores e em áreas externas, para fixação de orquídeas, bromélias, suporte para plantas aquáticas, jardins verticais, etc.
Além disso gostaria de destacar a propriedade térmica e acústica da fibra do coco.  Já foram feitos testes pela Universidade Federal do Paraná-UFPA a respeito do desempenho térmico acústico desta fibra em comparação com outros produtos de uso comercial consagrados para esse fim.


Devemos buscar, cada vez mais em nossos projetos, a substituição de materiais como o poluiretano e o poliestileno que são altamente poluentes. Outra opção de utilização dessa fibra na construção civil é para a execução de divisórias acústicas onde a manta de fibra de coco é um ótimo substituto da lã de vidro, cuja manipulação é perigosa devido aos seus componentes cancerígenos e até mesmo da lã de rocha com melhor desempenho acústico.

Para quem se interessar pelo assunto, um vídeo a respeito do processo de reciclagem do coco com André Trigueiro:


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dinheiro jogado no lixo

É vergonhoso saber que de 1999 até hoje, o DF,  Capital da República liberou mais de R$ 2 bilhões para empresas terceirizadas fazerem a execução e manutenção das atividades de limpeza publica.
Com a falta de fiscalização o lixo tem sido um filão para corrupção, mesadas e propinas. Desde de 2006 esses contratos são renovados semestralmente em caráter emergencial, isto é, sem licitação. Isto porque deixam a situação ficar insustentável para poder aplicar aquela concessão da lei que permite contratar sem licitação os serviços emergenciais. A emergência desta maneira se renova em contratos ilegais para empresas que apenas recolhem todo o lixo do DF, seja ele residencial, hospitalar ou da construção civil e o despejam no Lixão da Estrutural.
Até hoje a coleta seletiva em todo o DF tem funcionado de maneira parcial e insatisfatória porque mesmo nos locais em que a população se esforça por separar o lixo orgânico do seco, no final tudo é misturado e tem a mesma destinação.

Embora o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (LC 17/97) estabeleça como ação prioritária a implantação de um Programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos, o Programa até hoje não foi elaborado. A falta de uma política de governo para a gestão do lixo tem causado graves danos ao meio ambiente e à saúde pública.
No lixão adultos e crianças arriscam a vida todos os dias entre os riscos de ser atropelados pelos tratores que espalham e movimentam os resíduos ou os riscos de contrair enfermidades pelo contato com material contaminado.
O novo Secretario do Meio Ambiente Eduardo Brandão promete a implantação de uma política de gestão de resíduos, através da melhora do sistema de lixo de todo o DF, o fechamento do lixão da Estrutural, incentivo à reciclagem com centro de triagens e ecopontos além da geração de empregos que um programa como este pode produzir, transformando catadores de lixo em funcionários capacitados à receber e tratar resíduos.
Vamos ver quando é que essas promessas vão se cumprir e que a nossa Capital será exemplo de civilidade para o resto do país na gestão dos resíduos humanos.
Fonte: Correio Braziliense 22/04/2011

terça-feira, 19 de abril de 2011

Revestimento de salas de aula

Os revestimentos internos dos ambientes escolares tem sido muito discutidos com a finalidade de facilitar a limpeza e diminuir a frequência da pintura nas áreas de uso freqüente do aluno. Não raro vemos escolas com paredes sempre sujas pelos pés dos alunos ou danificadas pelo freqüente atrito com as cadeiras.
Durante algum tempo havia no FNDE um programa que tinha por finalidade a adequação dos ambientes de uso do aluno, ou seja, sala de aula e sanitários. Era o Projeto de Adequação do Prédio Escolar (PAPE) destinado apenas às regiões norte e nordeste como sendo áreas prioritárias de atendimento. Durante esse tempo foi produzido um material riquíssimo a respeito de critérios mínimos de infraestrutura para esses ambientes educativos cujos manuais estão publicados e podem ser encontrados no site do FNDE (http://www.fnde.gov.br/index.php/fundescola-publicacoes) item b - Manuais Tecnicos Operacionais.
A maioria das escolas públicas dessas duas regiões conhecem muito bem esses critérios. A partir de então o MEC tem absorvido esses critérios como melhor padrão de atendimento porque mesmo tendo sido pensados originariamente para aplicação nas escolas de ensino fundamental esses critérios podem facilmente ser adaptados aos demais níveis de ensino devido à semelhança de funções desses ambientes dedicados ao aluno como salas de aula e sanitários. As circulações também são áreas criticas para os revestimentos. A partir daí fica fácil ampliar a abrangência desses padrões para os demais ambientes escolares.

Para orientação das equipes técnicas envolvidas no planejamento e execução de projetos para construção e adequação de prédios escolares públicos ou particulares, um dos aspectos mais importantes a observar nesses ambientes é a questão do revestimento.
Nas paredes por exemplo é indicado a aplicação de uma faixa impermeabilizada preferencialmente de cerâmica até a altura do peitoril (1,20 a 1,50m). Quanto ao piso cita o cerâmico de alta resistência com grau de absorção II e resistência mínima à abrasão PEI 4, com dimensões compatíveis com as juntas do revestimento das paredes ou ainda o piso monolítico dotado de juntas plásticas distanciadas no máximo de 1,20m, com o devido polimento.
O material cita ainda questões como iluminação natural, ventilação cruzada, tipos de forro, etc.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Energia limpa

A busca por energias renováveis têm trazido a tona um debate sobre as fontes alternativas de energia como a fotovoltaica, na qual as celulas solares convertem a luz solar diretamente em eletricidade. É o inverso do que acontece com as lâmpadas de LED quando a energia elétrica é transformada em luz.
O Brasil é um país de grande potencial energético nesse sentido. Com a maior área territorial dos trópicos recebe, consequentemente, uma quantidade gigantesca de radiação solar. "O lugar menos ensolarado do Brasil (Florianópolis) recebe 40% mais energia solar do que o lugar mais ensolarado da Alemanha”, compara o especialista Ricardo Rüther, do Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A energia solar fotovoltaica é a forma de produção de eletricidade que mais cresce no mundo atualmente. Segundo estudos do Instituto de Energia da Universidade da Califórnia e da Associação das Indústrias Fotovoltaicas Europeias, desde 2003 o índice de expansão dessa indústria ultrapassa 50% ao ano.
O maior problema para nós aqui no Brasil ainda é o custo. A energia fotovoltaica entre as formas de energia limpa é a mais cara, praticamente 10 vezes mais que a energia elétrica. Isso porque "A raiz do problema que emperra a expansão brasileira na área da energia fotovoltaica esbarra na produção do silício , disse Henrique Toma, professor do Laboratório de Nanotecnologia Molecular da USP  e a  maior parte da produção mundial de silício ainda está nas mãos da China e Índia.
A discussão política nessa área pode caminhar na direção da importação. Está em curso no Senado o projeto de número 336/2009 que isenta do imposto de importação, que é de 12%, as empresas estrangeiras que fornecerem células fotovoltaicas, módulos em painéis e seus periféricos. Parece que tem grandes chances de aprovação propondo inclusive que todos os estádios da Copa de 2014 no Brasil, utilizariam energia fotovoltaica.
As opções são muitas:
Que tal uma rodovia solar onde, segundo os cálculos, uma única estrada de quatro pistas, que se estenda ao longo de 1,6 quilômetro, seria capaz de abastecer 500 casas.
Ou fazendas de Energia Solar
Detalhes em fachadas voltadas para o lado de maior ensolação (The Solaire - NY)
Vamos torcer para que o Brasil caminhe nesse curso acompanhando os maiores países do mundo na busca de soluções limpas de energia para nossos projetos a custos razoáveis.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sustentabilidade veio pra ficar

Pode ir se acostumando: a preocupação com a sustentabilidade veio para ficar.
Isso porque essa coisa não é uma preocupação passageira. E um dos motivos é o bom e velho capitalismo. Ser verde dá lucro. Pode-se ser ecológico e ganhar dinheiro ao mesmo tempo. Isto porque quando se consegue poupar recursos, além de preservar o planeta acabamos por melhorar a produtividade, a rentabilidade o que leva a lucros maiores.
De acordo com a revista Isto é Dinheiro, na Europa e nos Estados Unidos, os indicadores acionários ligados à sustentabilidade mostram desempenho que movimentam US$ 8 bilhões. No Brasil, as empresas que adotam boas práticas nos campos social e econômico também se destacam na Bovespa.
Além disso, para criar um mundo sustentável, um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê que o reordenamento da economia em um patamar sustentável terá  impacto direto na redução da pobreza, ajudando, inclusive, na criação de empregos
Temas como a eficiência energética tem sido amplamente discutido como forma de economia, aspecto que complementa ainda mais a importância da preservação dos recursos do planeta. Na indústria da construção civil a escolha pelo material ecológicamente produzido, transportado e armazenado ganha adeptos pela economia que acabam gerando no custo geral da obra. Depois de prontos, o edifício sustentável consome 30% menos energia e até 50% menos água.
Quando você vai trocar de carro o quanto ele gasta de combustível é um dos pontos mais definitivos na escolha. Quanto menos consumir, melhor. Gera economia na hora de abastecer e ao mesmo tempo acaba ajudando a cuidar do planeta. Se for movido a combustível limpo, melhor ainda, o ambiente agradece.
Por tudo isso, sustentabilidade deveria ser matéria de escola. Desde pequena a criança tem que conviver com as tarefas escolares aprendendo conceitos como reciclagem, transformação do lixo, reuso da água, economia de energia, aproveitamento de materiais descartáveis, preservação das espécies e consumo moderado.
Isso é olhar para o futuro para nossa sobrevivência.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Chaveiros com bichinhos vivos

Uma nova moda anda surpreendendo os turistas na China: pequenos chaveiros feitos com peixes, largartixas e pequenas tartarugas seladas em plástico. Os bichinhos são colocados vivos nos saquinhos de plástico e vendidos por 10 Yans, o equivalente a R$2,40.

A água colorida dos chaveiros contém nutrientes que permitem os animais viverem ali dentro por alguns meses, depois disso morrem devido a falta de oxigênio.
Segundo os chineses esses chaveiros são considerados como amuletos de boa sorte. Não pra os pequenos animais que são condenados à morte, claro.
Muita gente compra esses chaveiros bizarros apenas pra soltar os bichinhos que estão presos la dentro.
Quem quiser que entenda a razão do ser humano.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Lixo nosso

A geração de resíduos é inerente às atividades humanas desde os primórdios da história, quando esta produção se constituía basicamente em material orgânico facilmente degradado e passiveis de serem reabsorvidos pela natureza. Com a Revolução Industrial e a expansão do consumo, os resíduos se modificaram em quantidade e composição, tornando-se um dos grandes problemas socioambientais da atualidade.
Considerando que mais de 80 % da população total vive atualmente nas cidades, essa questão é foco das discussões como algo necessário e urgente, principalmente porque a baixa qualidade de vida tem sido agravada cada vez mais pelos problemas de destinação dos resíduos gerados. E quando falamos em resíduos urbanos gerados devemos considerar não apenas o lixo como também o esgoto.
Esse assunto tem me deixado indignada com o comportamento das pessoas.  Todos, como cidadãos deveriam se envolver com essas questões porque a natureza nos fornece tudo que precisamos, mas não podemos retribuir utilizando desordenadamente seus recursos sem preocupação com o futuro ou com o próximo.
Recentemente vi aqui em Brasília, capital do país, em pleno centro do Plano Piloto, moradores “despejando” o conteúdo de suas latas de lixo residenciais (vários sacos) na calçada em frente a sua casa, próximo à via pública durante a noite. Achei isso repugnante quando percebi que era um procedimento comum em toda a extensão daquela rua.
Falta de containers apropriados para despejar o seu lixo? Falha do governo em coletar o lixo na hora certa? Tudo isso pode ser explicação, mas não justifica. É falta de educação mesmo.
A problemática do lixo vem de uma questão de educação, e educação não só na escola, a educação que recebemos e que damos aos nossos filhos em casa. Se realmente somos seres racionais vamos mostrar o que somos.
É comum vermos pessoas jogando papel, guimba de cigarro nas ruas ou arremessando coisas pelas janelas dos carros sem imaginar que esse lixo pode impedir o escoamento das águas pluviais e causar um alagamento. Temos que ter consciência que esse não é um comportamento civilizado.  Responsabilizamos o governo por não ter tomado medidas cabíveis, mas nos esquecemos que somos nós que geramos o lixo e o depositamos em locais inapropriados.
Às vezes vemos lixo jogado no chão bem ao lado de uma lixeira. Às vezes precisamos andar um pouco mais pra depositar o nosso lixo num lugar mais apropriado, que não gere maiores problemas pra nós ou o nosso próximo.
Podemos melhorar o visual da nossa cidade. Se tratarmos a nossa cidade como a nossa casa, a coisa seria diferente porque dificilmente você joga lixo no chão na sua própria casa.
A questão da habitação em todo o nosso país é um serio problema que se expressa pela escassez e pela precariedade de uma grande parte das edificações. A oferta pura e simples de novas unidades habitacionais não resolve o problema, porque o maior óbice ainda reside na indisponibilidade financeira de grande parte da população, que em função das leis de uso do solo vão se espremendo em ocupações particularmente dos morros e locais de encostas.
Esses locais muitas vezes ocupados por moradias que, sem saber o risco que estão correndo, vão depositando lixo e acomodando centenas de famílias, até ocorrer casos como o que aconteceu no Morro do Bumba em Niterói no ano passado quando morreram 47 pessoas e outras 3 mil ficaram desabrigadas por causa das chuvas. Chegou-se a conclusão que o excesso de lixo e a presença de gás agravaram a tragédia. Um ano depois, quais medidas foram tomadas para prevenir que coisas desse tipo aconteçam?
Pensar na sustentabilidade das cidades é pensar na conservação e/ou preservação de todos os seus espaços, até mesmo aqueles que não fazem parte de seus domínios. É pensar em dar qualidade de vida digna aos seus habitantes através de um meio ambiente equilibrado - incluindo-se neste contexto moradias dignas, água de boa qualidade, coleta e tratamento de esgotos e lixo, lazer, livre acesso à cultura, à educação, aos esportes, entre outros fatores relacionados à qualidade de vida.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A fúria da natureza

Parece que nos últimos tempos temos tido mais notícias que antigamente a respeito de catástrofes originarias na fúria da natureza. Será que era apenas falta de informação? Pode ser. A comunicação hoje em dia é muito mais eficiente.

Tsunami no Japão

Furacões
Mas um dado é definitivo e inquestionável: nosso planeta vem sofrendo modificações e isso gera uma série de conseqüências na população.
Como arquitetos não temos muito o que fazer  a respeito de uma série dessas catástrofes naturais como os Tsunamis por exemplo, terremotos, vulcões ou o avanço paulatino do mar sobre as cidades resgatando territórios. Mas, por outro lado, há sim coisas que devemos observar no desenvolvimento de um projeto para evitar problemas futuros do tipo de certas catástrofes que tem ocorrido.
Na maioria das vezes as condições ambientais de um local não são devidamente avaliadas para a execução do projeto e, conseqüentemente resultam em prédios desvinculados das características físico climáticas do sítio e da realidade onde se inserem.
É importante pensar uma arquitetura própria, adequada a uma determinada região. A forma e os tipos de espaços de um prédio, não devem ser generalizados. Antes de qualquer procedimento quanto à construção, é necessário que se conheça o lugar onde será construído o novo edifício. Ultimamente tem-se usado muito a figura do projeto padrão principalmente para escolas ou edifícios de funções semelhantes na esfera governamental. Mesmo os projetos padrões devem permitir certa adequação à realidade climática do local.
Os cuidados relativos ao uso e ocupação do solo, apesar de inerentes à construção, devem ser tomados ainda na etapa de implantação através de procedimentos que assegurem o melhor aproveitamento do terreno e a minimização dos impactos ambientais.
Deslizamento em Niterói
Deslizamento em Angra dos Reis
A adequação da edificação à topografia do terreno visa  reduzir o volume de terra movimentado com remoções, cortes e aterros, causas de problemas de erosão e alteração do ciclo hidrológico natural degradando o meio ambiente além de representar grandes custos na implantação. A observação de diversos fatores, como a topografia do entorno, permite prever a ocorrência de eventuais acidentes naturais. Locais próximos a encostas ou barrancos perigosos são suscetíveis a enchentes, desmoronamentos ou aluviões como os que aconteceram em Niterói e Angra dos reis no último ano.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Arquitetura Escolar e Sustentabilidade


A arquitetura escolar se ocupa de estudar e propor alternativas para acolher os serviços oferecidos pelos sistemas de ensino. As periódicas reformas do ensino, ao incidirem sobre a organização curricular, geram demandas de novas tipologias para os espaços da escola, resultando em especificações de ambientes com configurações variadas, que procuram corresponder às necessidades emanadas das propostas pedagógicas vigentes.
As instituições que têm a responsabilidade de criar e manter os espaços educativos tem enfrentado grandes desafios para acompanhar o ritmo dessas mudanças, incorporando as diferentes dimensões que decorrem de novos enfoques dos processos de ensino e de aprendizagem. Manter a atualização, diante de novos requisitos sociais, culturais e políticos, entre outros, tem sido o objetivo perseguido ao longo da história da arquitetura escolar, em particular pelas instituições que se ocupam da escola pública.
Horta na CE Infantil Cotia-SP
O rápido crescimento demográfico, o esbanjamento dos recursos naturais, a degradação do meio ambiente, a pobreza persistente de grande parte da humanidade, a opressão, a injustiça e a violência de que padecem ainda milhões de pessoas exigem ações corretivas de grande impacto.
O desenvolvimento e o crescimento do país tem que ser sempre em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham chance de existir e viver bem. Como educadores não podemos perder a oportunidade que temos nas mãos de utilizar a escola como ferramenta de forma de proliferar conhecimento com o intento de conciliar esse desenvolvimento à preservação do planeta.
O edifício escolar tem um papel decisivo em todo esse processo. A partir do momento que tivermos um edifício escolar eficiente ao nível energético e em simultâneo com uma boa qualidade ambiental interior teremos um ambiente de ensino aprendizagem propenso para as boas vivências e práticas ambientais além de estimular atividades extracurriculares.
As questões de energia, água e resíduos podem envolver mais diretamente os alunos, colocando-os numa situação de aprendizagem, ao permitir relacionar os conteúdos programáticos com a monitorização dos consumos, bem como a procura de alternativas aos elevados consumos. A convivência que irá promover a conscientização dos futuros adultos que tomarão conta do planeta.

Coleta Seletiva

Pela paz

Pela paz no Rio
Pela paz no Brasil
Pela paz no Mundo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Primeira Escola com certificação LEED no Brasil

Fico feliz de ver notícia como esta. Este Colégio no caso é estadual.

Parabens à Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro na busca de soluções inovadoras e principalmente contribuindo com a missão da escola em promover a educação ambiental. O próprio edifício escolar se torna uma ferramenta de ensino rumo à vivência e a conscientização sustentável não só do educando como de suas famílias porque a educação que se aprende na escola se leva pra casa. E vice versa.

http://ecotelhado.blog.br/?p=948

Primeira escola com certificação LEED no Brasil terá Ecotelhado

Mais uma vez, nós estamos participando de um grande projeto sustentável no Brasil.
O Colégio Estadual Erich Walter, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro, conseguiu a certificação LEED Schools, própria para escolas com projeto sustentável. E o mais bacana são os detalhes: esta é a primeira escola brasileira a buscar o selo LEED e a primeira escola pública do mundo a tomar esta iniciativa.
A escola ainda finaliza os últimos detalhes do projeto
A Ecotelhado participa do projeto, cobrindo inteiramente o colégio de telhado verde. São, ao total, 790m² de produto instalados, com possiblidade de acesso à visitação. Além disso, o estacionamento do local – com 350m² -  terá a tecnologia Ecopavimento.
Esta certificação LEED específica para escolas tem dois requisitos diferenciados: a apresentação de um relatório ambiental da qualidade do solo, para que não seja perigoso à saúde das crianças, e o tratamento acústico não só nas salas de aula, como nos corredores e ambientes internos próximos às salas.
O projeto do Colégio
A escola adotou também mais algumas medidas sustentáveis, como iluminação por lâmpadas LED, aproveitamento de água da chuva, aumento de áreas verdes, painéis solares para aquecimento de água, área para reciclagem, instação de bicicletários, entre outras ações.
Mas a sustentabilidade não para por aí. O time pedagógico da escola também vem trabalhando para fazer da escola uma ferramenta de ensino e conscientização de práticas sustentáveis.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Coberturas Verdes

Parece uma coisa muito distante pra você?
Muitas vezes as pessoas tem uma certa prevenção ou preconceito contra telhados verdes. Se a cidade tem um índice pluviométrico que garante uma irrigação desse telhado durante todo o ano, a idéia parece mais aceitável. Mas aqui em Brasília ouço muito frequentemente o argumento de que temos um clima seco, sem chuvas durante uma boa parte do ano, praticamente 5 ou 6 meses e a manutenção se tornaria difícil enquanto que os cuidados teriam que se intensificar.
A arquitetura tanto do espaço público aberto quanto do edifício fechado deve levar sempre em conta o local avaliando as suas condições climáticas específicas. Um lugar é sempre diferente do outro pela paisagem e pelo clima. É importante que a arquitetura não crie conflitos com as características de determinada região. Ao mesmo tempo, através da arquitetura podemos modificar o microclima de uma determinada área.
Impermeabilização em várias camadas

Isso porque uma mesma região pode possuir características climáticas diferentes em função da cobertura vegetal, do relevo, das superfícies de água e de vários outros elementos da paisagem. Propiciando maiores áreas verdes, melhoramos a qualidade do ar urbano retendo a umidade por mais tempo, o que é de extrema importância nesse nosso clima seco.
É inegável a capacidade do telhado verde na proteção das coberturas contra o calor, melhorando o conforto térmico interno. Quando a água da chuva fica por mais tempo retida, diminui o calor, gera economia de energia com climatização além de que, psicologicamente, gera uma grande satisfação no ser humano usuário. Além disso a presença do verde e do colorido propicia o incremento da biodiversidade com a presença de pássaros na área urbana.
Jardim alternando áreas de brita e pequenas touceiras.Pode-se usar desníveis para setorização
Não é tão difícil assim como parece executar uma cobertura verde. É obvio que demanda de um bom cuidado com a impermeabilização da laje, mas hoje já existem sistemas prontos que facilitam tudo, inclusive no Brasil. Em áreas como nosso cerrado onde a incidência de chuva é menor, pode-se utilizar mais áreas cobertas com brita fina sobre a terra vegetal, formando pequenos jardins, mais fáceis de cuidar e manter.
Um paisagismo valoriza a cobertura vista de outros prédios

Ensinamento Japonês

Não tem muito a ver com arquitetura mas tem muito a ver com sustentabilidade e com educação e respeito ao próximo. Publico um texto que recebi escrito por uma monja budista a respeito da situação passada pelo Japão recentemente.

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro(心). Kokoro  ou Shin significa coração-mente-essência. Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada? Outra palavra é gaman(我慢): aguentar, suportar.  Educação para ser capaz  de suportar dificuldades e superá-las. Assim, a tragédia de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo  de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros. 
Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém.  Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área.  As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado. Não furaram as  filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos- mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica,  alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.  
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte. Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques.  Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam.  Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro(感謝の心): coração de gratidão. Sumimasen(すみません) é outra palavra chave.  Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediamdesculpas por viver.  Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta.  Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo.  Sumimasem. Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas. O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei.  Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto. Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico.  As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de  resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais. Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”. Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas.  Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo. Aprendemos com essa tragédia  o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória,  nada é seguro neste mundo,  tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente. Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo  está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra.  O planeta tem seu próprio movimento e vida.  Estamos na superfície, na casquinha mais fina.  Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos.  O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos.  E isso já é uma tarefa e tanto. Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução. Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam as tragédias que se seguiram a 11 de março. Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.  
Haviam pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas.  Todas eram e são pessoas de meu conhecimento.  Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência.  Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas. 
Mãos em prece (gasshou) 合掌 Monja Coen 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vamos juntos

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”
Do mestre Carlos Drummond de Andrade

Sempre pensei: porque fazer um blog? Agora mudei de opinião, penso porque não fazer um blog?
É uma grande oportunidade de compartilhar idéias, opiniões, defender pontos de vista além de ser uma ótima forma de fazer novos amigos, cultivar amigos antigos, enfim, de dar um pouco do que temos aprendido em troca de aprender muito mais ainda.

Como arquiteta apaixonada pela profissão, pela capacidade que temos de realizar os desejos e os sonhos das pessoas, aprendemos a cada dia, buscando sempre por inovações e novidades que podem tornar a vida das pessoas mais bonita e mais confortável.

A preocupação com o meio ambiente tem sido freqüente a partir da conscientização de que nosso mundo não é infinito. Os recursos que abastecem nossas vidas devem ser preservados a fim de que as gerações futuras possam receber por herança um mundo melhor do que o que temos hoje.

Aqui neste espaço podemos ter um encontro com soluções e opiniões, diretrizes que podem auxiliar, arquitetos ou não, nesse movimento por uma mudança dos sistemas de valores que estão por trás de uma economia globalizada que dita os parâmetros de vida moderna, buscando a compatibilização com a sustentabilidade. Começar a pensar sustentável. Não na intenção de ser um “ecochato”, mas trazendo uma proposta de conscientização que gera mudança de comportamento nas pequenas coisas que podem melhorar nossas vidas ao mesmo tempo em que pode poupar o planeta. O meio ambiente agradece.

Nesse contexto a arquitetura tem um papel de decisão fundamental para concretização dos critérios que podem tornam nosso desenvolvimento sustentável. Para isso conto com todos que quiserem participar e partilhar comigo dessa aventura.
2leep.com