terça-feira, 14 de maio de 2013

As pontes de Calatrava


Fazendo uma analogia com as pontes de Madison (do condado de Iowa) que foram mostradas naquele filme com Clint Eastwood e Meryl Streep. Naquele filme as pontes cobertas que foram construídas nos séculos passados, se tornaram muito populares nas áreas rurais dos EUA. Elas eram geralmente feitas em madeira, com mao única, paredes e teto com a finalidade de proteger do frio.

Atualmente os projetos de pontes parecem estar restrito apenas a 3 ou 4 tipologias dominantes em todo o mundo. Parece que não se gasta mais tempo para pensar um projeto de ponte – é simplesmente um tabuleiro, pilares, concreto, cálculo para vencer o vão e pronto.

Mas não é assim para Santiago Calatrava. Quando se fala em arquitetura biomimética não podemos deixar de relacioná-lo – “Ave Mestre”. Nunca tive oportunidade de conhece-lo pessoalmente, mas a meu ver, é o mais expressivo arquiteto da atualidade. Admiro seus projetos desde a época de faculdade quando estudávamos seus trabalhos que pareciam mais uns bichos petrificados, tamanha a semelhança com os elementos da natureza. Não é a toa que já o chamam de Da Vinci do Seculo XX.

O artista que foi seduzido para a arquitetura por um pequeno livro de LeCorbusier, sugere que a arte deveria ser sempre considerada como fonte das ideias para a arquitetura.

As pontes de calatrava cumprem a sua função sem deixar de explorar novas formas, vencendo vãos de até 300m. A linguagem cheia de simplicidade e eficiência caracterizam as suas pontes criando efeitos visuais incríveis. Com o mínimo indispensável ele encontra sempre novas formas para resolver problemas antigos, mantendo uma grande elegância das estruturas, geralmente tensionadas.

Sua paixão pelo movimento ainda proporciona algumas pontes- esculturas que se movem como a Ponte da Mulher em Porto Madero, Buenos Aires, que consiste numa ponte suspensa rotativa, com 102 m de comprimento entre um par de vãos de aproximação fixos. O vão central tem um mastro inclinado de 39m e. roda 90 graus para permitir a passagem do trafego fluvial.

Para ele uma boa ponte é uma ponte simples e, acima de tudo, uma ponte barata. Construir uma ponte pode ser um gesto cultural mais poderoso do que criar um novo museu porque está a disposição de todos. Isso é percebível vendo as pontes do passado que tiveram um papel chave na formação de impressões sobre suas próprias cidades.

Por isso ele demonstra no livro dos trabalhos de 1979 a 2009 (Complete Works of Calatrava) que a falta de criatividade nos projetos “não e uma fatalidade decorrentes das regras técnicas, mas antes a ausência de uma combinação adequada entre o conhecimento e o sentido estético”.

Essa é a chave: dominar o conhecimento sempre aliado a um sentido estético.

Bom, é bem verdade que além de arquiteto ele é engenheiro e artista. Tudo faz sentido.
Ponte da Europa - França
Ponte Reggio Emilia - Italia

Ponte Rotativa da Mulher - Buenos Aires

Ponte sobre Hoofdvaart - Alemanha
Fotos do Livro: Complete Works of Calatrava 1979 a 2009












2 comentários:

  1. Oi Ione, quanto tempo... Realmente as pontes dele são muito expressivas do ponto de vista plástico. Não basta só conectar fisicamente 2 pontos... Tem que comunicar visualmente também. Passei por uma ponte sua em Veneza, muito simples, discreta e expressiva. Grande abraço!

    www.disegnoamilanesa.blogspot.com

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  2. Inesquecível, 'As pontes de Madison'.

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