terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Resposta da natureza para a arquitetura

"É uma questão de se render à madeira, em seguida, deixa-la conduzir as conexões que induzem a materialidade, em vez de impor uma forma sobre a matéria" (Gilles Deleuze e Félix Guattari)

O modelo do projeto do Pavilhão HygroSkin - Meteorosensitivo explora um novo modo de arquitetura sensível ao clima. Foi encomendado pelo FRAC Centre Orleans – França para sua coleção permanente e desenvolvido por Achim Menges com colaboração de Oliver Davie Krieg e Steffen Reichert do Institute for Computational Design da Faculdade de Arquitetura de Stuttgart, Alemanha.

Já comentamos aqui a respeito de biomímese, a imitação dos processos naturais que tem dado muita contribuição para a arquitetura.

Enquanto a maioria das tentativas depende fortemente de equipamento técnico elaborado sobre materiais inertes, este projeto utiliza a capacidade de resposta inteligente característica do próprio material. A instabilidade dimensional da madeira em relação ao teor de umidade é empregada para construir uma pele arquitetônica "metereosensitiva" que autonomamente abre e fecha em resposta às mudanças do tempo otimizando o conforto climático. Isso, porém não requer o fornecimento de energia operacional, nem qualquer tipo de controle mecânico ou eletrônico. A própria estrutura do material é que é a máquina.

A pele de madeira modular do pavilhão é projetada e produzida com folhas de madeira compensada inicialmente planas que formam superfícies porosas e sensíveis às mudanças na umidade relativa do ambiente que geralmente escapam à nossa percepção consciente. Cada componente consiste de uma pele de dupla camada que só pode ser cortada e detalhada com ajuda de braços robóticos para posteriormente se juntarem de maneira a produzir um painel de sanduíche pressionando a vácuo. Todo o invólucro do pavilhão é ao mesmo tempo estrutura de suporte de carga e pele metereosensitiva. A capacidade estrutural das superfícies da pele elasticamente curvadas permite um sistema leve, porém robusto, construído a partir de componentes de madeira compensada muito finas.

Este projeto se baseou em mais de seis anos de estudo investigando os princípios biomiméticos oferecidos pelo cone de abeto para desenvolver sistemas climáticos para a arquitetura que respondem sem qualquer equipamento sensorial, funções motoras ou outra fonte de energia. O abeto é uma árvore conífera, fonte de madeira geralmente utilizada em instrumentos musicais e pelo seu potencial decorativo como árvore de natal.

O movimento dos cones de abeto se dá unicamente pela capacidade intrínseca do material de interagir com o ambiente externo mostrando como um tecido estruturado pode passivamente responder aos estímulos do ambiente abrindo quando está seco e fechando quando está úmido. A camada externa reage a um aumento ou diminuição da umidade relativa do ar, expandindo ou contraindo, enquanto a camada interna mantém-se relativamente estável. Ao contrário do movimento das plantas que são produzidas por mudanças de pressão da célula ativa, esse movimento ocorre por meio de uma resposta passiva a mudanças de umidade. A pesquisa permite o uso de madeira, um dos materiais mais antigos e mais comuns de construção, como, um composto natural, sensível ao clima.

O método construtivo garante que todo o pavilhão possa ser desmontado, movido em um container e remontado em outro local, não danificando os componentes que são apenas encaixados.

Fonte: ICD – Universidade de Stutgart; PINI-Arquiteturas Avançadas










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