segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cidades para pessoas

O arquiteto Jan Gehl, responsável por mudar a cara de Copenhague nos anos 1960, ensina como criar cidades melhores para as pessoas, mostra que as cidades têm solução e dá a receita: pensar, em primeiro lugar, nas pessoas: “Cidades são feitas por pessoas e para pessoas. Somente mudam quando as pessoas mudam.”

Seu foco principal é melhorar o ambiente para pedestres, ciclistas e outras formas alternativas de transporte promovendo assim a sustentabilidade das cidades.

Em 1971 ele publicou seu primeiro livro, Life Between Buldings ("A vida entre os prédios", ainda sem versão em português) em que se debruça sobre o comportamento das pessoas nos espaços públicos. Se utiliza a Strøget, a primeira rua de pedestres de Copenhague, como laboratório para mostrar que priorizar as pessoas era o melhor para criar boas cidades.


Copenhague hoje é exemplo mundial de uma cidade boa para se viver onde um terço das pessoas usa a bicicleta como transporte no dia a dia. E tudo começou com uma mudança de paradigma 50 anos atrás.

Gehl diz que “ uma das coisas que descobri em todos esses anos de trabalho é que precisamos respeitar a escala humana. Em meu livro Cities for People ("Cidades para pessoas") eu falo, por exemplo, sobre a síndrome de Brasília , (grifo nosso) uma prática repetida em várias cidades do mundo. Brasília nasceu para ser uma cidade planejada, certo? Pois bem, quando a olhamos do céu, ela é incrível, mas quando a olhamos do chão, parece que estamos em uma maquete fora de escala. É tudo grande demais, as distâncias são impossíveis de serem percorridas pelo corpo humano e os monumentos são grandes demais para apreciarmos a partir de nossa altura. Isso sem contar a falta de calçadas e ciclovias. Se você não tem um carro em Brasília, fica impossível se locomover.”

“A escala humana é uma das chaves. Temos que criar uma mudança de paradigma aqui. Antes de pensar em mais ruas, ciclovias, transporte público ou mesmo na escala humana, é preciso pensar: que cidade queremos? E aí, o que importa não são os elementos do planejamento urbano, mas as coisas que nos fazem viver melhor. Quando os planejadores quiserem chegar aí e não, por exemplo, ao melhor sistema de mobilidade possível, aí sim estaremos em um caminho interessante para melhorar as cidades.”

“O planejamento urbano pode fazer as pessoas mais felizes? Planejamento urbano não garante a felicidade. Mas mau planejamento urbano definitivamente impede a felicidade. A pior coisa para a felicidade das pessoas é perder tempo paradas no congestionamento.”


Leia a entrevista da reporter Natalia Garcia na integra no site da Revista Vida Simples. Ela criou o projeto Cidades para Pessoas que se propõe a percorrer, durante um ano, 12 cidades pelo mundo e morar por um mês em cada uma delas para buscar novas ideias.

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