quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Agregados reciclados

Com a elevação do custo de materiais de construção e o aumento das restrições para o descarte de resíduos de construção, as construtoras têm buscado reduzir os custos através do reaproveitamento dos resíduos sólidos como agregados.

Essa possibilidade é obtida através do processamento do chamado "resíduo classe A". O termo foi criado pela Resolução no 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de 2002, e regulamenta a gestão dos resíduos de construção e demolição - como tijolos, blocos, telhas, concreto etc. -, além de solos provenientes de terraplenagem.

A maior vantagem é mesmo financeira pois o material custa entre 15% e 30% menos que na pedreira.

A cultura do uso de agregados reciclados já é bastante enraizada nos países europeus, onde há concreto reciclado produzido com o conhecimento da fórmulação original. Isso possibilita o uso inclusive nos casos estruturais.

No Brasil ainda não é permitido o uso estrutural de reciclados. Ainda não temos essa cultura e estamos no momento de restringir até que se desenvolva práticas confiáveis de aproveitamento. As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para uso de agregados reciclados vieram em 2004.

O procedimento que alimenta as boas práticas de reutilização dos resíduos classe A é a correta destinação dos materiais pelos geradores. Após a Resolução do Conama as empresas construtoras passaram a se preocupar mais com isso, separando na obra materiais de diferentes destinações como aço, plastico, madeira, etc.

A maior dificuldade ainda está na qualidade. Empresas que começam a processar os resíduos tem a necessidade de estar presentes nas demolições como forma de garantir a qualidade do material.

A reciclagem no próprio canteiro seria o ideal porém se torna inviável algumas vezes porque o equipamento é caro e acaba por comprometer o custo da obra. Fica mais em conta transportar o resíduo para alguma empresa gerenciadora de resíduos, mas para isso tem que haver mais oferta desse serviço com o objetivo, de depois de reciclados, reduzir o custo de venda.

O arquiteto deve estar atento também com algumas decisões de projeto que podem reduzir a geração de resíduos na obra.

De acordo com o Guia da Construção os materiais que podem ser reciclados são:

Areia: pode ser usada desde que atenda os requisitos de desempenho, pois conta com um pouco de cimento no material. Para fazer concreto magro, por exemplo, demanda mais água e menos cimento.

Pedrisco: Pode ser usado em peças estruturais, sendo necessário atentar para a proporção. Concretos sem fins estruturais podem contar com 100% do pedrisco reciclado.

Britas I e II: pode substituir totalmente a pedra convencional em qualquer aplicação que não seja estrutural.

Bica corrida e bica com cerâmica: devido à grande quantidade de pó de cimento, para solos muito frágeis e úmidos costuma-se usar bica reciclada para execução de solo-cimento, o que barateia a execução com ganho de resistência. A alta capacidade de absorção da cerâmica exige o uso de uma maior quantidade de água nos casos em que há presença desse material.

Rachão: a versão reciclada substitui totalmente a convencional em qualquer aplicação, inclusive para gabiões.

BGS (brita graduada simples): como é possível obter qualquer granulometria a partir do material reciclado, pode-se utilizar a BGS para aplicações em geral.

Fonte: Guia da Construção

Após processamento e separação conforme composição e granulometria, agregados reciclados estão prontos para uso em obra.
No processo de reciclagem, as construtoras encaminham resíduos classe A livres de contaminantes às usinas, que separam o material e voltam a colocar os agregados no mercado a custos até 40% menores do que os naturais

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