terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sustentabilidade Social


Quando se fala em sustentabilidade pensamos logo nas coisas relacionadas ao meio ambiente. Mas não podemos esquecer que não adianta termos um meio ambiente cuidado e vigiado se não pensarmos também na forma de oferecer condições básicas de vida para as populações que estão inseridas no contexto desse mesmo meio ambiente.

Por isso para todo empreendimento sustentável deve-se, antes de qualquer coisa, levar em consideração a aplicação do que se chama sustentabilidade social. Porque é difícil alguém se preocupar com o meio ambiente ou com a conservação da natureza quando se está com fome, caminhando e morando sobre esgoto ou lixo, ou ainda bebendo água poluída.

Nesse contexto o Programa Renova SP da Secretaria de Habitação de São Paulo (Sehab) tem tido repercussão internacional. Será apresentado na 5ª Bienal Internacional de Arquitetura de Roterdã (Holanda), e em grandes universidades como Cambridge (Londres), Harvard e Columbia (EUA) está sendo visto como modelo para o mundo quando se fala em resolver problemas de moradias em áreas de risco.

Em conjunto com o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB Nacional, houve um concurso com o principal objetivo de contratar projetos de arquitetura e urbanismo para 22 perímetros de ação integrada (PAI) da cidade de São Paulo. Os participantes deveriam apresentar projetos, com vista à eliminação de áreas de risco, a implantação de infraestrutura urbana, drenagem, construção de espaços públicos e de novas unidades habitacionais, para que esses locais se transformem em novos bairros da cidade.

Foram selecionados 17 projetos de arquitetos renomados que pretendem mudar a cidade. Todos eles merecem ser amplamente conhecidos e esperamos que sejam mesmo todos executados. Confira todas as propostas neste endereço.

As obras devem atender 84 mil moradias e remodelar 213 assentamentos – que englobam favelas, loteamentos e núcleos urbanizados identificados no estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), divulgado no começo deste ano. O valor global para a execução de todos os projetos será de R$ 48 milhões.

Um desses PAIs, o de Cabuçu de Baixo 5 situa-se no distrito da Brasilândia, na sub-bacia hidrográfica do Cabuçu de Baixo, região Norte da cidade de São Paulo.

O principal desafio para a urbanização e saneamento desse perímetro é reassentar as famílias que vivem em áreas de risco de escorregamento e solapamento, cujos domicílios estão implantados em encostas de alta declividade.

Além disso, é preciso considerar os projetos da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente para recuperar os córregos da área (Bananal) e conter a ocupação na região da Cantareira. Tudo isso avaliando as possíveis interferências no tratamento dos cursos d’água e os impactos da implantação do trecho Norte do Rodoanel.

O projeto que levou o 1° lugar nesse grupo foi o de Miguel Saraiva e PMA Arquitetura de SP sob a coordenação de Marcelo de Oliveira Montoro e a colaboração de MAS Urban Design ETH-Zürich.

A solução apresentada pretende melhorar essas áreas que cresceram sem planejamento propondo projetos residenciais verticalizados. A proposta preve uma rede de paredes de retenção e anti-deslizamento onde 50 a 100% das unidades localizadas na encosta serão removidas e onde uma nova rede de espaços verdes será introduzida.

Os residentes das áreas de risco das encostas mais acidentadas serão reassentados em torres habitacionais, que operam como estruturas de suporte do terreno e servem como espaço público de ligação de 9 em 9 metros. Entre os dois volumes habitacionais, uma plataforma atua como praça pública com espaços de convivência, comércios e  de conveniência ao longo do córrego existente.

Com a construção vertical, a proposta contribui para a redução da densidade de ocupação na área.

Fonte: Prefeitura de SP, Archdaily, Ecologia Urbana

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