sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Primavera


Hoje começa a primavera. Aqui em Brasilia ficamos felizes porque a primavera normalmente traz a esperança das chuvas que vem acabar com a seca prolongada aqui do planalto central. Hoje completamos  105 dias sem chuva. Isso porque a conta se faz a partir dos ultimos chuviscos. Mas chuva mesmo pra valer, ja temos uns 120 dias sem ver.

Aproveitando o novo plano de fundo do blog e atendendo a pedidos, aproveitei para inserir uma caixa de pesquisa dos assuntos que já comentamos por aqui.

Neste final de semana deixo para voces um poema de Cecília Meireles a respeito da Primavera:

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododentros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur.
Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação.
Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega.
É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim.
Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu.
E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvi­dos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul.
Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra.
Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.
Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera."

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 365.

3 comentários:

  1. Ebaaaaaaaaaaaa
    Ela chegou mesmo!!!!
    Iupiiiiiiiiiiiii
    Lindas flores querida.
    Bjus
    Paula Kasas

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  2. oi, Ione!

    Adoro a Cecília.
    Que lindas flores!
    Desejo uma feliz primavera para você.
    Beijo no coração

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  3. Oi querida,
    Não consegui comentar no post de cima...não sei porque... mas continuarei tentando!
    Obrigada pela menção.Adorei, e a Lepri é inovadora mesmo.
    Bjus e obrigada pela visita
    Paula Kasas
    www.paulakasas.blogspot.com

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